Gestão de contratos

01 · netLex · 2025

Role
Product Designer — Atomsix
Disciplines
Product
Stack
Jobs to Be Done · Jornadas por área · Benchmark · Insights por módulo · Arquitetura de informação · Userflow · Onboarding · Protótipo · Design system

2025

Product Designer @ netLex, pela Atomsix

Uma plataforma jurídica mostrava a estrutura da ferramenta. O redesign passou a mostrar o trabalho de cada área.

Jurídico, Comercial e RH usam a mesma base sem virar três produtos, e a IA recomenda a próxima ação em cada etapa do contrato.

Meu papel
Product Designer na Atomsix. Discovery, arquitetura de informação, onboarding, gestão do contrato com ações recomendadas pela IA e as telas finais.

A netLex é uma plataforma de gestão jurídica e de contratos. Departamentos jurídicos, comerciais e de RH usam o produto para documentos, workflows, consultas, procurações e atas. O projeto foi um redesign do web app: discovery, benchmark, sitemap e quatro iterações de interface até a versão final.

Managing a lease contract in netLex: stage stepper, contract tabs, the AI Recommended Actions button and a floating toolbar

Se você ler só uma parte

O produto se organizava por pastas, abas e listas. A jornada de cada área não aparecia, e o contrato era um documento cru, sem responsável, prazo nem próximo passo.

O que eu fiz foi reorganizar o produto pelo trabalho de cada área: Spaces com home própria, um onboarding que monta essa home e uma ação recomendada pela IA para guiar a tomada de decisão no contrato.

O resultado é uma base só para áreas diferentes, com vencimentos e gargalos visíveis desde a home e um contrato que mostra em que etapa está e qual é a próxima ação.


O problema

A interface falava a língua da ferramenta, e não a de quem usa.

  • A navegação seguia a estrutura do sistema: pastas, abas genéricas e documentos em lista.
  • O detalhe do contrato era o documento cru, sem responsáveis, prazos nem próximo passo.
  • Jurídico, Comercial e Compras têm jornadas diferentes, e o produto tratava todos igual.
  • Vencimentos, SLAs e gargalos ficavam escondidos dentro das listas.
Before and after of contract management: on the left the raw document from the old product, on the right the new screen with stages and AI-recommended actions

A tentação era redesenhar tela por tela. O que o produto precisava primeiro era entender o trabalho de cada área.


Por onde comecei
01.

O que cada área precisa ver quando abre o produto?

02.

Como atender áreas diferentes sem criar três produtos?

03.

Como guiar a decisão de quem não sabe qual ação tomar em cada etapa do contrato?

04.

Como o produto aprende quem é o usuário sem um cadastro cansativo?


O que eu fiz no discovery

Mapeei o trabalho de cada área antes de mexer na interface.

Escrevi os jobs to be done e as jornadas de três áreas, cada uma com etapas, ações e resultado esperado. O Jurídico vai da revisão interna à aprovação, assinatura, armazenamento, monitoramento e relatórios. O Comercial vai da criação à negociação externa e ao pós-assinatura. Compras acompanha contratos, vencimentos e alertas. Cada jornada virou um fluxo proposto, do login até a ação.

Jobs to be done and journeys board per team, Legal, Sales and Procurement, with stages, actions, expected outcomes and the proposed flow for each

Usei o benchmark para separar o que é estrutura do que é caso de uso.

O Monday e o Asana mostraram como um mesmo produto organiza workflows diferentes por caso de uso. O Ironclad foi a referência direta de gestão de contratos jurídicos, com repositório e dashboard. Daí saiu a decisão de arquitetura: módulos comuns para todos, e Spaces por área por cima deles.

Transformei os achados em insights por módulo.

Para cada parte do produto, escrevi o que mudar. A home passa a mostrar o status que importa para cada área: Compras vê o que vai vencer, o Jurídico o que está em revisão, o Comercial o que está perto de fechar. Os filtros por perfil vão para o primeiro plano. E o documento ganha um painel de próximo passo.


O que eu fiz no produto

Desenhei um onboarding que monta o produto para cada pessoa.

Em vez de um cadastro genérico, o onboarding pergunta cinco coisas: o cargo, o departamento, os principais casos de uso, como a empresa chama os tipos de documento e quais indicadores a pessoa acompanha. A taxonomia já vem com sugestões, e dá para pular uma etapa e voltar depois. No fim, o produto configura a home daquele Space com os indicadores escolhidos.

The five onboarding steps side by side: role, department, main use cases, taxonomy setup and tracked indicators

Organizei o produto em Spaces por área.

Cada área tem seu Space, com home própria, sobre módulos comuns: Workflow, Documentos, Contatos, Intel e Configurações. Os Spaces abrem como abas de navegador, e quando as abas estouram a largura, aparece uma busca para achar as escondidas. Na home, as métricas mostram o que vence hoje e o SLA, com a variação contra o mês anterior.

Legal Space home with quick actions, metrics such as due today and query SLA, recent contacts, recent activity and documents in progress

Escrevi as regras do grid da home.

Para a mesma home servir a áreas diferentes sem quebrar, defini regras para cada bloco. A linha de ações tem de um a quatro itens e não pode ser ocultada. As métricas usam três ou quatro colunas, com um ou dois números grandes, e também não podem ser ocultadas. Contatos, documentos e atividades usam uma ou duas colunas e podem ser escondidos. As regras ficaram em post-its no próprio Figma, ao lado das telas.

Figma board with the homes of three teams and yellow sticky notes defining the modular grid rules

Fiz a lista de documentos mostrar onde cada um está.

O repositório ganhou uma árvore de pastas, busca pelo conteúdo do documento e, em cada linha, o autor, a pasta e a etapa do workflow. Antes, a lista era genérica. Agora ela responde em que pé está cada documento sem precisar abrir.

Before and after of the document list: the old product's generic list and the new one, with author, folder and workflow stage
Document repository with folder tree, content search and the list with author, folder, workflow stage and date

Coloquei a IA para recomendar a próxima ação em cada etapa do contrato.

Foi comentado que o usuário não sabia qual ação deveria tomar naquela etapa do contrato. A gestão do contrato ficou mais enxuta: um stepper com as etapas, de elaboração a negociação, aprovação financeira e assinatura, as abas do contrato e o botão Ações Recomendadas, em que a IA sugere o próximo passo da etapa atual para guiar a tomada de decisão. As ferramentas ficam numa barra flutuante. Foram três rodadas de layout até chegar aqui, e o painel continuou abrindo à direita, como no produto atual, para não quebrar o hábito de quem já usava.


O que mudou

O produto passou a se organizar pelo trabalho de cada área, e não pela estrutura da ferramenta.

A mesma base atende Jurídico, Comercial e RH. O onboarding configura a home de cada perfil. A lista de documentos mostra a etapa de cada um. E, no contrato, a IA recomenda a próxima ação de cada etapa.


Em retrospecto

Escrever as regras do grid em post-its, ao lado das telas, foi o que fez a home modular funcionar. Sem regra, cada área pediria a sua exceção.

Manter o painel do documento à direita, como já era, foi uma escolha pequena que evitou um custo grande. Num redesign, nem toda mudança precisa ser mudança.