Portaria de visitantes

04 · Portonave · 2025

Role
Product Designer — Atomsix
Disciplines
Product
Stack
Journey map · Personas · Storyboard · Userflow · Serviço ponta a ponta · Protótipo

2025

Product Designer @ Portonave, pela Atomsix

Uma portaria de porto que dependia de papel e conferência presencial passou a receber o visitante antes mesmo de ele chegar.

A visita começa dias antes, no celular, e termina num totem que imprime o adesivo de acesso.

Meu papel
Product Designer na Atomsix. Discovery, fluxos, portal, comunicações e totem.

A Portonave é um terminal de contêineres em Navegantes, Santa Catarina. Todo dia passam pela portaria motoristas, prestadores de serviço, visitantes comerciais e grupos. A pergunta do projeto era simples: quem entra no terminal, e com que autorização?

Slide with a line-drawn storyboard of visitors arriving at the self-service kiosk and, beside it, the Portonave kiosk with an aerial photo of the port

Se você ler só uma parte

A portaria dependia de etapas manuais e conferência presencial. Em horário de pico, isso virava fila, retrabalho e pouco controle sobre quem estava lá dentro.

O que a gente fez foi mover a portaria para antes da chegada: agendamento, documentos e orientações resolvidos no celular, e um totem para o check-in.

O resultado é uma jornada desenhada para quatro perfis, com portal de agendamento, uma régua de mensagens até o dia da visita e um totem que imprime o adesivo de acesso.


O problema

A fila da portaria começava muito antes da portaria.

Nas palavras do próprio projeto, a portaria "depende de etapas manuais e verificações presenciais que tornam o processo mais lento, especialmente em momentos de alta demanda". O journey map mostrou de onde vinha essa lentidão:

  • Pouca sinalização para pedestres e veículos.
  • Papel, crachá e formulário preenchidos na hora.
  • Motoristas que não conhecem a planta do terminal.
  • Comunicação desencontrada entre a transportadora e o terminal.
  • Visitantes comerciais com pouca tolerância a atraso, que esperam uma experiência corporativa e limpa.
"Problem identified" slide with the text about the manual gate and a photo of an old computer at the reception

A tentação era desenhar um sistema de recepção mais rápido. O que a portaria precisava primeiro era deixar de depender do momento da chegada.


Por onde comecei
01.

Quem passa pela portaria, e o que cada um precisa?

02.

O que dá para resolver antes de a pessoa sair de casa?

03.

Como um grupo de visitantes entra sem que cada um precise se cadastrar do zero?

04.

O que acontece com quem chega sem agendamento?


O que eu fiz no discovery

Mapeei a jornada da chegada, e não só a recepção.

O journey map foi do agendamento ao acesso, passando pela espera, pela chegada e pelo cadastro. Em cada etapa entraram as ações, os objetivos, as dores e as oportunidades. As dores mais fortes não estavam no balcão: estavam no caminho até ele.

Gate journey map in coloured sticky notes, with stages from scheduling to access and rows for actions, goals, opportunities and pain points

Desenhei para quatro perfis com histórias diferentes.

O líder de um grupo de visitantes quer agendar todo mundo de uma vez e saber quem está com pendência. O visitante comercial quer um pré-cadastro simples e entrar rápido. O prestador sem agendamento precisa ser identificado e aprovado pelo responsável interno. E o funcionário que esqueceu o crachá precisa de um adesivo provisório sem burocracia. Cada perfil virou um storyboard em traço, contado do ponto de vista da pessoa.

Storyboard of the group leader receiving the email confirmation and sharing the link with participants, beside the Portonave email

Listei o que dava para tirar da portaria.

Das histórias saíram as oportunidades: preencher dados automaticamente, um link compartilhável para grupos, recepção diferenciada para quem já agendou, acesso automático por reconhecimento facial, QR ou catraca, e compliance na coleta de dados de terceiros.


O que eu fiz no produto

Coloquei o agendamento num portal com aprovação de convidados.

O responsável interno vê as visitas numa lista com calendário e cria um agendamento com veículo, motivo e responsável, que já vira um evento no Outlook. Visitantes adicionais passam por aprovação, e os marcados como VIP entram sem precisar do adesivo de identificação.

Scheduling portal with the visit list, the December calendar and the additional visitors panel with the VIP access option

Fiz a visita começar 48 horas antes.

Desenhei uma régua de comunicação até o dia da visita. Dois dias antes, a pessoa recebe o status. Um dia antes, o checklist de documentos do perfil dela. Na manhã do dia, as pendências. Duas a três horas antes, a rota no mapa, o estacionamento e o lembrete do reconhecimento facial. Depois da visita, uma pesquisa de satisfação. As mensagens chegam por WhatsApp e e-mail.

Two phones: the Portonave notification on the lock screen and the WhatsApp chat with the visit-day guidance and the map route

Troquei o balcão por um totem de autoatendimento.

O visitante se identifica por CPF ou QR. O totem encontra o agendamento, mostra o responsável e o horário, e faz o check-in, que avisa o responsável. No fim, imprime um adesivo de acesso com QR. Quem chega sem cadastro recebe o link no celular. Quem tem cadastro mas não tem agendamento é encaminhado para a portaria. Os botões são grandes, em pílula, e cada tela tem uma tarefa só.

Three kiosk screens side by side: the idle screen with the port photo, the identified booking with the check-in button and the completed check-in with the sticker

Fiz do adesivo a credencial da visita.

O adesivo leva nome, responsável e QR. Com ele colado, o prestador é acompanhado até o lugar certo dentro do porto, junto com o responsável interno. É ele que identifica o visitante enquanto circula pelo terminal.

Storyboard of a service provider being escorted inside the port, beside the visitor sticker with name and QR code

O que mudou

A portaria deixou de começar no balcão.

O que antes era resolvido em pé, na hora da chegada, passou a ser resolvido antes: agendamento, documentos, rota e orientações. No dia, o totem faz o check-in e entrega a credencial. A equipe da portaria fica com o que só uma pessoa resolve: os casos sem agendamento e as exceções.


Em retrospecto

Os storyboards em traço foram o que mais ajudou a alinhar o cliente. Antes de qualquer tela, todo mundo conseguia se ver na história de um dos quatro perfis.

Se eu fizesse de novo, testaria o totem no terminal mais cedo. É no ambiente real, com sol, barulho e pressa, que uma tela de autoatendimento mostra se funciona.