Decision Suite

05 · Fivelabs · 2024

Role
Product Designer
Disciplines
Product
Stack
Pesquisa desk · Pesquisa qualitativa e quantitativa · CSD · Ideação · MoSCoW · Persona · Arquitetura de informação · Wireframe · Protótipo · Componentização · Métricas de sucesso

2024 a 2025

Product Designer @ Fivelabs

Empresas com dado espalhado decidem no escuro. Desenhei, do zero, uma plataforma que junta os dados e põe agentes de IA para apontar a oportunidade.

O cliente não queria mais um painel. Queria saber o que fazer com o que já tinha.

Meu papel
Product Designer. Discovery, arquitetura de informação, interface, design system e experiência com agentes de IA.

Período
2024 a 2025

Time
PM, engenharia de dados, especialistas de dados e parceiros Qlik

A Decision Suite, da Fivelabs, é uma plataforma para empresas que querem tomar decisões baseadas em dados. Ela reúne visualização, insights e análise num só lugar, com agentes de IA especialistas por área. Quando entrei, ainda não havia produto. Havia um problema observado em várias empresas e uma pergunta: o que, exatamente, elas precisavam enxergar?

Decision Suite main banner, product screen mockup

Se você ler só uma parte

As empresas tinham dado demais, em lugares demais, e ninguém para transformar isso em decisão.

O que eu fiz foi partir do que os clientes diziam, priorizar sem dó e desenhar um produto que leva a informação até a pessoa, em vez de esperar que ela vá buscar.

O resultado foi uma plataforma com dashboards, alertas, solicitação de novos painéis e um assistente com agentes especialistas, construída sobre um design system feito junto com a engenharia de dados.


O problema

O problema não era falta de dado. Era falta de confiança e de contexto.

Nas entrevistas, os clientes potenciais descreveram o mesmo cenário com palavras diferentes:

  • "Falta a informação correta e clara para tomar as decisões que preciso."
  • "Tenho o mesmo tipo de informação em vários locais diferentes e não sei qual é verdadeira."
  • "Tenho muitos painéis na empresa, mas não com as informações que preciso."
  • "Custa muito caro ter um escritório de ciência de dados na empresa."
  • "Não tenho um time capacitado para me auxiliar na elaboração dos painéis que preciso."

Cada fala pedia uma solução diferente. A tentação era responder a todas com dashboards. O que o produto precisava primeiro era decidir o que não ia fazer.


Por onde comecei
01.

O que a gente sabe, e o que só supõe?

02.

O que o cliente precisa ver para decidir, e não só para acompanhar?

03.

Como priorizar um produto que começa do zero?

04.

Como um assunto denso vira uma experiência com pouca curva de aprendizado?


O que eu fiz no discovery

Comecei pelas dúvidas, e não pelas telas.

Junto ao PM, montei uma matriz CSD com as certezas, suposições e dúvidas que tínhamos, e usei a matriz para planejar as entrevistas exploratórias. Primeiro conversamos com os stakeholders e com especialistas de dados. Depois, com clientes potenciais, para ver o problema na prática. As falas validaram boa parte das hipóteses sobre o mercado.

Priorizei com MoSCoW para ter uma esteira, e não uma lista de desejos.

Com as entrevistas em mãos, fizemos um brainstorming, agrupamos as ideias mais relevantes e aplicamos MoSCoW para montar a esteira de priorização. Num produto sem nada construído, decidir a ordem é tão importante quanto decidir o quê.

Discovery artefacts: feature list with task links, prioritisation matrix, sticky-note brainstorm and problem and solution flows

Ajustei o processo a cada módulo.

Por ser um projeto do zero, o processo variou conforme o módulo priorizado. Em geral, eu começava por um fluxo funcional para delimitar o escopo. Depois vinham wireframes de baixa fidelidade, validados rápido com as pessoas envolvidas. Só então o protótipo de alta fidelidade, refinado em ciclos até a documentação e o acompanhamento do handoff.

Information architecture map, dashboard wireframe on desktop and mobile, and reference moodboard

O que eu fiz no produto

Transformei "não tenho time para montar painéis" numa funcionalidade.

Se o cliente não tem um time de dados, o produto precisa fazer esse papel. Desenhei a solicitação de novo projeto como um passo a passo: qual indicador, que tipo de gráfico, de onde vêm os dados e qual a regra de cálculo. O pedido chega pronto para a engenharia, e o cliente acompanha etapas, custo e prazo dentro da plataforma.

New project request screen, where the client describes the indicator, chart type, data sources and calculation rule

Fiz a informação ir até a pessoa.

Um painel só ajuda quem abre. Os alertas avisam quando uma meta é alcançada, quando surge um insight ou quando um indicador muda. O assistente de IA responde perguntas em linguagem natural, com agentes especialistas por área, como vendas, financeiro, RH e marketing, e devolve a resposta já em gráfico.

AI assistant open beside the dashboard list, with sales, finance, HR and marketing agents, answering with charts
Notification centre with goal-reached alerts per dashboard, split into goals, insights, indicators and news

Trabalhei com os agentes, e não só com a tela deles.

Trabalhei com agentes de IA nas plataformas n8n e Dify, o que ampliou muito a minha visão sobre automações inteligentes e experiências assistidas, e mudou a forma como eu desenhava a conversa com o assistente. Também colaborei com parceiros da Qlik na criação de dashboards personalizados e nativos.

Construí o design system junto com a engenharia de dados.

A colaboração próxima com a engenharia de dados me fez entender a lógica e as chamadas de cada visualização. Isso levou para o design system as exceções que um dashboard real tem, e não só o caso ideal. Também investiguei casos extremos que não estavam no briefing inicial.

Three phones showing Decision Suite: executive dashboard, revenue chart with actual, forecast and goal, and account menu
Animation moving through the product screens

O que mudou

Um problema difuso virou um produto com escopo, ordem e linguagem própria. E ele está no ar.

Cada parte da plataforma responde a uma das falas das entrevistas. A informação dispersa ganhou um lugar só. A falta de time virou um pedido guiado. E o painel que ninguém abria virou um alerta que chega na hora certa.

Hoje a Decision Suite é vendida para CEOs e grupos empresariais com os mesmos problemas que ouvimos no discovery: dado pouco confiável, fontes duplicadas, painéis genéricos, ciência de dados cara e falta de time interno. O assistente, os agentes por área, os alertas de metas e a solicitação de novos painéis continuam sendo o centro do produto.

Video validation session, with the project details screen and chat open and three people in a meeting room

Em retrospecto

Trazer os stakeholders para perto foi o que tornou possível traduzir assuntos densos em experiências com pouca curva de aprendizado. Sem eles, eu teria desenhado dashboards bonitos para perguntas erradas.

Ter liberdade para explorar padrões e casos extremos foi ótimo, mas também é onde um produto do zero se perde. A esteira do MoSCoW foi o que me impediu de desenhar tudo ao mesmo tempo.