2023
UX/UI Design e Branding @ Prime8
Uma distribuidora que nasceu pequena e precisava entrar no mercado parecendo grande.
A marca, o design system e a compra B2B foram desenhados juntos, porque para quem revende, confiança é parte do produto.
Meu papel
UX/UI Design e Branding. Pesquisa, identidade visual, design system e e-commerce.
Período
2023
Clientes
Revendas e pequenas e médias empresas de tecnologia
A Prime8 nasceu em 2023 como uma nova unidade de negócio da Zoom Holding: o canal de distribuição do grupo. Chegou com um portfólio de peso: Huawei, smartphones realme e telefonia Intelbras. Ela precisava de um canal próprio de venda online e de uma marca que ainda não existia. A entrada no mercado tinha que comunicar um grande player desde o primeiro dia.

Se você ler só uma parte
A Prime8 tinha produtos de marcas líderes, mas nenhuma marca própria, nenhum canal e nenhuma forma de vender para empresa sem atrito.
O que eu fiz foi tratar marca, sistema e jornada de compra como uma coisa só, partindo de quem compra e por quê.
O resultado foi uma identidade com regras de uso, um design system documentado e um e-commerce B2B com crédito, SLA e verificação de CNAE dentro da jornada.
O problema
Vender para empresa não é vender para pessoa.
Uma revenda compra para lucrar, compara margem e precisa confiar no fornecedor antes de abrir o cadastro. Um gestor de TI compra para a própria empresa e quer resolver rápido. Os dois chegam ao mesmo site.
- Uma marca nova, sem histórico, vendendo ao lado de nomes como Huawei e Intelbras.
- Nenhum canal próprio de venda online.
- Dois públicos com motivações diferentes: revenda e compra para consumo.
- Crédito, prazo de pagamento e verificação de CNAE em cada CNPJ, etapas que costumam virar formulário e abandono.
- Atendimento e pós-venda que dependiam de dados corretos desde o cadastro.
O risco era desenhar um e-commerce genérico com um logo novo. O que a Prime8 precisava primeiro era saber para quem estava falando.
Por onde comecei
01.
Quem compra, e o que essa pessoa precisa sentir para confiar?
02.
Como uma marca recém-nascida parece grande sem prometer o que não entrega?
03.
Como colocar crédito, SLA e CNAE na compra sem transformá-la num formulário?
04.
Como garantir que a marca sobreviva do manual até o componente?
O que eu fiz na pesquisa
Separei o público em dois antes de desenhar qualquer tela.
Com pesquisa desk e entrevistas com usuários e com pessoas experientes no negócio, mapeei o público em o quê, quem, por quê, quando e onde. Saíram duas proto-personas: o dono de uma loja de informática que compra para revender e a gerente de TI que compra para a própria empresa. As duas eram pequenas e médias empresas, mas o motivo da compra mudava tudo: margem para uma, agilidade e suporte para a outra.

Usei a pesquisa para cortar campos, e não só para ilustrar.
O mapeamento já apontava uma otimização concreta: validar o cadastro com o Google e pedir só o nome da empresa e o CNPJ no começo. A verificação pesada, de crédito e CNAE, acontece depois, quando a pessoa já decidiu que quer comprar.
O que eu fiz na marca
Escrevi regras de uso, e não só um logo.
Com a jornada, as personas, o mapa de empatia e a análise das principais concorrentes documentados, defini paleta, tipografia, elementos de apoio e princípios de design. O laranja é obrigatório e ocupa pouco, o verde e os cinzas sustentam o layout, e cada combinação tem prioridade e proporção definidas. Uma marca sem regra se desfaz na terceira peça.

O que eu fiz no produto
Transformei a marca num design system antes de prototipar.
Com a identidade definida, criei o sistema de design do produto e documentei cada etapa de manipulação e otimização. Ícones, meios de pagamento, cores, sombras e grid saíram da mesma fonte que o manual. Assim, o protótipo já nasceu com a cara da marca.

Desenhei o fluxo inteiro, do cadastro ao pós-venda.
Mapeei home, categoria, produto, carrinho, checkout em três etapas, cadastro e minha conta, além das páginas de confiança: trocas, formas de entrega, pagamento e políticas. Para uma marca nova, essas páginas fazem parte da venda.

Fiz do cadastro uma vantagem, e não uma barreira.
O preço fica trancado para quem não tem cadastro, e o convite para virar revendedor aparece em toda página. Em vez de esconder a exigência do B2B, a jornada a apresenta como acesso a condições especiais. Crédito, SLA de pagamento e verificação de CNAE entram depois, quando a pessoa já tem motivo para continuar.


Iterei toda semana, com teste no fim de cada ciclo.
Os protótipos passaram por ciclos semanais, com testes com usuários ao final de cada um e ajustes com base no retorno dos stakeholders internos e dos usuários. O objetivo era uma jornada objetiva, sem atrito, que passasse segurança tanto para quem compra quanto para o atendimento e o pós-venda.

O que mudou
A Prime8 saiu do zero com uma marca, um sistema e um canal que falam a mesma língua, e operou com eles por mais de dois anos.
A identidade tem regras que qualquer pessoa consegue aplicar. O design system liga o manual ao componente. E a jornada de compra trata as exigências do B2B como parte da experiência, e não como um obstáculo no fim dela.
Nesse período, a Prime8 recebeu prêmios da Huawei como parceira internacional de revenda e, ainda em 2023, a certificação Gold de distribuidor do Huawei eKit no Brasil. Depois, uma reestruturação da Zoom Holding desativou algumas unidades de negócio, entre elas a Prime8.

